terça-feira, 12 de setembro de 2017

"Viúva"

Foi um processo complicado assimilar a ideia de que, perante a sociedade, o meu estado civil é este.. viúva... escrevo perante a sociedade, porque para mim, sou e serei sempre casada com o Jorge...

Hoje, já não temo tanto as palavras menos coloridas, aquelas palavras pesadas, aquelas que nos apertam a alma, aquelas palavras que vêm carregadas de mágoa... morte, cancro, viúva...

A primeira vez que me perguntaram o meu estado civil, gelei... demorei a responder... soltei um tímido e magoado: viúva...

Saí rapidamente, larguei em prantos... amaldiçoei o universo, tive pena de mim... senti-me minúscula...

Hoje, aprendi que ser viúva é para os outros... para a sociedade, não para quem o é... eu sei que o sou, mas não o sinto.. não o vivo... sou casada, uso aliança, respeito-o e continuo a amá-la, tanto ou mais do que antes... a morte só separa se quisermos... o sentimento continua intacto...

Ser-se viúva é viver com a saudade cravada no peito... é ter uma ferida constantemente aberta, mas é também saber que se amou {e se ama}, que se viveu e que se continua a viver, porque afinal ser viúva é estar VI(ú)VA !


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